Anjos, Fadas e Sereias

 

Síntese Crítica – Escrita Hipertextual e Hipermedia

Texto: Anjos, Fadas e Sereias: 12 Teses sobre Cibercultura, de Rui Magalhães

 

 

 

Embora o autor tenha criado o artigo em formato impresso, não se observando a existência de acessos através de links ou outro tipo de ligações e suporte, podemos afirmar que, de certa forma, existe no texto uma escrita hipertextual, na medida em que o artigo utiliza ao longo das doze teses, variadíssimos tópicos que ajudam a visualizar a informação, percebermos com maior nitidez as ideias subjacentes e podermos reflectir e projectar as mesmas.

No que concerne à hipermedia [fusão entre hipertexto e multimédia], verificamos que o texto não utiliza qualquer ferramenta técnica nesse sentido, não obstante Rui Magalhães nos descrever mentalmente, alguns ambientes com forte tradução visual. Sem dúvida que a utilização de suportes de multimédia enriqueceriam o artigo em questão. 

Voltando ao texto em si, Anjos, Fadas e Sereias: 12 Teses sobre Cibercultura, o autor apresenta uma dissertação sobre a temática do Ciberespaço, abordando todos os seus aspectos convergentes, numa tentativa de explicar o fenómeno, o porquê do seu surgimento e a necessidade premente da sua constante evolução e mutação.  

 

O aparecimento da Internet surge a par de grandes desenvolvimentos tecnológicos do século XX, num momento de viragem entre o desgaste civilizacional e a sua reformulação e evolução. Desde logo, passou-se a ter acesso a uma infinidade de informação a todos os níveis, acompanhado de um sentimento partilhado de total liberdade e autonomia, onde tudo é possível, sem barreiras de poder e de valores. Instala-se a ideia ilusória da liberdade e da democracia, reivindica-se a individualidade e o tribalismo. É possível a troca constante de informação à escala universal, tornamo-nos omnipresentes.

No ciberespaço todos os objectos e seres deixam de ser reais, passando a ser virtuais, daí o sentido metafórico do título do artigo de Rui Magalhães. A rede está povoada de anjos, fadas e sereias, figuras fantásticas adoptadas pelos indivíduos, de forma a se imporem no espaço imenso, de se poderem transformar, projectar e manipular. O individuo assume as mais variadas formas e conteúdos, materializando-se naquilo em que acredita, passando a viver a sua projecção, fundindo o virtual com a realidade. A cibercultura é exactamente esta indefinição entre as imagens fantásticas, amorfas, e as do nosso quotidiano, a proximidade entre a tecnologia digital e o relacionamento social.  

De realçar ainda a facilidade de comunicação e partilha de informação, gerando e influenciando o desenvolvimento económico, permitindo o surgimento de novos mercados, rumo ao modernismo, diminuindo, aparentemente, o fosso existente entre os países ricos e os mais desfavorecidos. 

 

Parafraseando o autor, “a rede é um infinito infinitamente limitado.” […] “o nosso planeta não é já a terra, mas o Windows (ou o Linux, ou…)”, sem dúvida duas óptimas definições que congregam todo o conceito da temática que se acabou de abordar. 

 

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